Sonhar faz parte de nossa natureza. Não falo dos sonhos estranhos que temos enquanto dormimos, mas daqueles que cultivamos enquanto acordados. Falo das coisas que queremos conquistar, da vida que queremos ter.
O estranho é que fomos ensinados a não sonhar (que coisa boba). Mas veja por outro lado:
- no final do século XV um navegador português sonhou com uma rota comercial para a Índia – e o Brasil foi “descoberto”;
- no século XVIII José Bonifácio sonhou com um Brasil independente e convenceu D. Pedro a dar o grito do Ipiranga – nos tornamos uma nação autônoma;
- no século XIX a Princesa Isabel sonhou com um país sem escravidão e, por uma bela canetada, nos tornamos um país de homens livres;
- no início do século XX Santos Dumont sonhou que poderíamos voar – nasceu o 14bis;
- no final da década de 40, Abrão Kasinsky sonhou com uma indústria de auto-peças desenvolvida no Brasil e, em 1997, ao ser vendida, a Cofap possuía fábricas no Brasil, Argentina e na Comunidade Européia que vendiam produtos para 98 países do mundo;
- na década de 60 Ozíres Silva sonhou que poderíamos fabricar aviões – no ano passado a Embraer teve receita líquida de mais de 11 bilhões de reais; este mesmo homem continua sonhando com um país tecnologicamente desenvolvido – na Pele Nova, seu novo empreendimento, conseguiu isolar uma enzima com capacidades regeneradoras, avaliada em R$1.500.000,00 o quilo – é isso mesmo, um milhão e quinhentos mil reais o quilo (esta forma de avaliação é ilustrativa, já que enzimas não se vendem por quilo);
- na década de 70 um menino sonhou em pilotar um kart em alta velocidade; Ayrton Senna da Silva se tornou num dos maiores (se não o maior) pilotos de F1 de todos os tempos;
- na década de 80 um rapazinho sonhou em ser jogador de futebol (este sonho é comum a muitos de nós, não?); quase 20 anos depois, Ronaldo se tornou o melhor jogador do mundo por 3 vezes.
Você poderá dizer : “Mas essas pessoas são extraordinárias, tiveram muito mais sorte do que eu”. Então vamos ver sonhos de ilustres desconhecidos que merecem ser contados:
- na década de 60 um amigo meu sonhou pilotar um avião; não só se tornou oficial da FAB como fez parte de um grupo seleto de instrutores do caça Mirage, a arma de defesa aérea mais eficaz do Brasil;
- na década de 50 meu pai, nascido numa família pobre – sim, eu disse POBRE – sonhou com uma vida melhor; teve três filhos, aos quais deu uma educação privilegiada, e hoje tem sua empresa, uma bela casa e 3 carros na garagem;
- um amigo meu sonhou, na década de 80, que poderia vender produtos de surfware (uma loucura, segundo o que algumas pessoas lhe disseram) – hoje tem 10 lojas e mais de 50 funcionários;
- ainda na década de 50 um outro amigo, nascido na Iuguslávia comunista, sonhou com uma vida mais livre e próspera – veio para o Brasil e se tornou o melhor garçon de Santos; formou dois filhos, mora num belo apartamento num dos melhores bairros da cidade e tem outros dois apartamentos alugados – o cara é garçon!!!
- eu mesmo escrevi estas linhas sonhando que alguém, um dia, as fosse ler – você está lendo, não é?
Fim da história.
Quem disse que não podemos sonhar? Você já deve ter sonhado com alguma coisa, não? Uma casa, um carro, uma viagem, uma graduação, uma família, um belo emprego…
O engraçado é que no nosso país, ser sonhador tem uma conotação ruim, não é? “Olha só, o cara é mesmo um sonhador” – dizem os mais céticos. Você se incomoda com isso? Depois de todos os exemplos que leu, não deveria.
Agora veja bem, sonhar tem um grande risco… vai que você não consegue concretizar seus sonhos? Nessa hora, você precisa entender que habilidades ou conhecimentos estão faltando, adquiri-los e tentar de novo.
Vai deixar que a ameaça do fracasso sufoque a possibilidade do sucesso?
Sonhar não é o suficiente, mas é o começo de uma grande realização. E tem mais, sonhar grande ou sonhar pequeno dá o mesmo trabalho – o que você vai escolher?
Continue sonhando… e sonhe grande!
Empreenda-se!